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NOSSA HISTÓRIA

 

Como começamos

A semente do Mulheres do Sul Global surge em uma viagem de voluntariado à Índia em 2015/2016. Para Emanuela, nossa fundadora, a motivação para a viagem era um projeto pessoal antigo, com o propósito de realizar uma peregrinação pelos lugares sagrados do budismo. Foi como voluntária, coordenando projetos nas fundações The Light of Budhadharma Foundation e Sarnath International Institute, ambas no norte da Índia, que Emanuela percorreu diversas cidades, viajando por terra, e vivenciando a rotina dos vilarejos mais pobres e violentos do país. O retrato da Índia como um centro de espiritualidade vai se transformando em um cenário avassalador, com uma indústria a céu aberto, mulheres costurando na beira das estradas, deixando seus filhos ainda bebês, pelados, engatinhando livremente onde carros passavam em alta velocidade e os faziam desaparecer em meio a poeira. Foram muitas as experiências diretas com a precariedade do modus operandi têxtil e a vulnerabilidade destas mulheres perante ao único ofício que sabem desempenhar.

 

 

Foto: Manu Pinheiro

"Lembro que já no primeiro mês da minha chegada, senti uma firme determinação em desenvolver um trabalho que envolvesse mulheres e costura. Mas era um imenso desafio, uma vez que eu não sabia muito bem por onde começar já que em toda a minha experiência profissional eu tive zero experiência com o mercado têxtil", relembra Emanuela. 

A ÍNDIA E O Ateliê Sarnath design 

Na segunda metade da jornada, como residente no monastério Sarnath Internacional Institute, Emanuela ganhou a missão de coordenar as atividades administrativas do ateliê de costura Sarnath Design. Foi a partir da observação direta do funcionamento de um ateliê que se foi elaborando uma ideia de projeto que pudesse empoderar mulheres através do seu ofício e como, através da costura, se poderia trabalhar tantas outras questões fundamentais sobre a condição da mulher num país como a Índia. 

 

De volta ao Rio de Janeiro: o (RE) encontro com mulheres, refúgio e costura

Na volta para casa, depois da profunda imersão em terras estrangeiras, o plano era de estruturar minimamente meios para poder voltar à Índia e amadurecer um projeto por lá. No embalo de um novo engajamento com voluntariado, motivada por um curso numa escola livre de cinema documentário, surgiu a Cáritas RJ, organização que faz a acolhida dos refugiados. Foi lá que se desenhou um caminho por onde começar. 

Durante o desenvolvimento de um projeto audiovisual assinado por quatro diretoras amigas, Emanuela conheceu mulheres em situação de refúgio vindas de diversos países. Ao ligar a câmera para filmar as entrevistas, chamava a atenção o fato de mulheres vindas do Congo e da Angola pedirem máquinas de costura para poderem trabalhar. 

Ao investigar os pedidos recorrentes, descobriu-se que, em algumas regiões do Congo, as mulheres aprendem o ofício da costura ainda jovens em suas escolas e que, mesmo com a costura em seu currículo profissional, a dificuldade de encontrar trabalhos em fábricas aqui no Brasil era imensa. Essa descoberta foi a oportunidade de realizar o propósito de trabalhar com mulheres e costura.

 

Foto: Nicollas Demenjour

Foto: Yara dos Santos

 

QUANDO PROPÓSITO E OPORTUNIDADE SE UNEM: NASCE O MULHERES DO SUL GLOBAL

O passo seguinte ao terminar o projeto audiovisual foi fazer a inscrição de um projeto sobre mulheres e costura no programa Shell Iniciativa Jovem, uma incubadora de projetos que acelera uma ideia até sua lapidação em um plano de negócios. Depois de uma sabatina de pitchs e dinâmicas onde o projeto foi aprovado no programa,  Emanuela volta à instituição Cáritas RJ para uma aproximação com o grupo das congolesas costureiras.

Isso acontece justo no momento em que a Cáritas estava rodando o piloto do programa CORES - Coletivo de Refugiados Empreendedores -, em que dois grupos profissionais estavam sendo incubados no programa de empreendedorismo: um grupo da  gastronomia e outro da costura. Foi então que a partir das vivências e dos desafios reais do grupo de angolanas e congolesas costureiras do programa CORES, em paralelo com o desenvolvimento de uma jornada empreendedora no programa Shell Iniciativa Jovem, aconteceu a transição de uma ideia a um negócio social, batizado desde sua origem como Mulheres do Sul Global.

 

 

 

 
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